quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Raízes

Não colocou raízes, pequenas flores, um punhado de grama. Partiu para uma árvore, não muito grande, mas bonita. Disse “Tudo que daqui brotar será seu”. E assim se fez uma, duas, três vezes. O tempo sabiamente trouxe a tona minha primeira e verdadeira certeza: a sua promessa foi em vão. Os frutos começaram a cair, cair e sumir. Não eram mais meus. O espelho mandou dizer que não errei em me entregar. Erro daqueles que acabam com seus jardins sem nem saber o que ali pode crescer. O destino era certo, o fim. Esqueceu de cortar sua árvore e de dizer que estava indo. Acho que quis deixar ainda algo guardado, lembrado. Diante desse desapego só posso pedir um favor: pega aquelas raízes para mim.

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