segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A alma do negocio.

Era 10h da manhã de uma segunda feira. Ela estava dentro de uma grande sala de escritório. Havia falações altas, pessoas discutindo, chefes chamando, advogados quebrando a cabeça, casos chegando. Parecia um bando de loucos tentando livrar-se dos problemas que lhe foram empurrados. Não havia paz, mas ali ninguém buscava a paz. Os confrontos eram a alma do negocio. Pelas janelas localizadas nas laterais da sala podia ver-se o maior confronto: de um lado um lindo sol, do outro um dia nublado. Era curioso, pois olhando para o céu parecia que ela conseguia ver a sua própria alma. Naquele momento parecia que nada do que tava acontecendo em volta fazia mais sentido, nem barulho. Parecia que tudo tinha parado quando ela se viu ali. Viu suas dificuldades, seus problemas, suas angustias, seus medos e suas tristezas confrontando com sua felicidade, simplicidade, facilidades, soluções e sorrisos. Olhando a sua alma encontrou-se no momento de tomar uma posição, transformar tudo em um dia claro, deixar de lado as nuvens do passado, fazer e ser diferente daquele momento em diante. Aquilo encheu seu peito, ajeitou sua coluna, melhorou sua feição, animou seu dia. Naquele momento ela só queria levantar dali e “fazer acontecer”. Para um dia de segunda feira foi algo emocionante, revigorante. Algo que poderia ser descrito em uma revista de fofoca como “nova semana, nova vida”. As idéias estavam claras e tudo estava colocado de forma perfeita, depois disso, ela botaria o mundo em ordem, na sua ordem. Nesse momento surgiu uma voz que dizia “vamos dá resolução a esse caso, pois amanhã outros virão por ai”. O homem falava do sistema jurídico, mas aquela frase falava do sistema da vida e nesse momento ela caiu como uma pluma ou como uma pedra. Afinal, de que adiantaria resolver esse caso hoje se amanhã vem mais por ai? Não seria a mesma vida de conflitos? Seriam casos diferentes, pessoas diferentes, conflitos diferentes... Concluiu que desse jeito também não haveria paz, mas ali ninguém buscava a paz. Os confrontos eram a alma do negocio.

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