Foi quando ela olhou para ele e disse “é ele”.
Sim, a história já começa assim. Aconteceu aquele momento onde o olho bate e já sabe que tem que ser ele. Já bateu em outros, lógico, do mesmo jeito, mas esses outros também foram ELES em seu tempo. Nenhum passou tão rapidamente em sua vida a ponto de não deixar marcas. Esse também seria assim. Era ele! Ela não tinha dúvida. Naquele dia não aconteceu nada além de um bom papo, risadas, algumas coisas em comum. A vontade dela era que aquilo tudo fosse só pra ela, mas ele parecia a mesma coisa com todos na mesa. Aquilo, sim, era diferente. Quando ela pensava que “era ele”, sempre ele pensava que “era ela”. Mas, como já ocorreu outra vez, o tal só disse ou demonstrou isso depois de um tempinho.
15 dias se passaram até o novo encontro com o dito cujo. Com o passar dos dias ela ficava mais ansiosa, para ela já havia algo entre eles, estava tudo mais que certo. No dia marcado ela se produziu toda para ele (e ainda dizem que mulher se produz pra outra mulher). Foi tudo como no encontro passado, papos, risadas, todo aquele clima de alegria. E, em um dado momento, não é que rolou a paquera? Os dois sozinhos, aquela conversa boa e puff: O amor estava no ar. Ou, pelo menos, deveria estar.
Foi bom enquanto durou, pena que durou apenas algumas horas. No outro dia um simples telefonema, mas sem nenhum convite para sair. Desse dia pra frente ela nunca mais o viu ou ouviu falar nele. Pensou até em ligar, mas viu que ele não merecia. Ele não era mais “ele”, era só mais um, ou deveria ser, mas não saia da cabeça inconformada dela aquela sensação de “onde foi que eu errei?”.
Havia algo de estranho, ela nunca errou em quem faria a diferença. Foi aí que pensou e entendeu: ele fez a diferença. Não importava quanto tempo eles tinham passado juntos, nem que esse tempo não tenha sido tão bom quanto ela esperava, mas foi suficiente. Desse dia em diante ela mudou: pensou diferente, agiu diferente e, assim, se tornou uma mulher diferente.
(continua)
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Ou perde, ou esquece.
Não vou perguntar por que você voltou, acho que nem mesmo você sabe, e se eu perguntasse você se sentiria obrigado a responder, e respondendo daria uma explicação que nem mesmo você sabe qual é. Não há explicação, compreende? Eu também não queria perguntar, pensei que só no silêncio fosse possível construir uma compreensão, mas não é, sei que não é, você também sabe, pelo menos por enquanto, talvez não se tenha ainda atingido o ponto em que um silêncio basta? É preciso encher o vazio de palavras, ainda que seja tudo incompreensão? Só vou perguntar por que você se foi, se sabia que haveria uma distância, e que na distância a gente perde ou esquece tudo aquilo que construiu junto. E esquece sabendo que está esquecendo.
C.F. Abreu
C.F. Abreu
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Lucidez, para que te quero?
Nós continuávamos resistindo, mas, às vezes, penso que viver não deve ser apenas isso, segurar a barra. Continuamos carregando nossas pequenas maldições – mais orgasmos, insônia, pesadelos, excessos de álcool e cigarros, procura cega (...) talvez uma falta de energia por não termos conseguido radicalizar e mudar alguém ou a nós próprios, ou enlouquecer e fugir pro mato. Normalmente resistimos enquanto o coração resseca, os olhos endurecem, as deliberações se frustram. Desmascaramos a farsa para continuarmos a existir no meio dela. De que nos tem servido essa lucidez senão para chamar barra cada vez mais pesada?
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Madame
Pelo risco da imobilidade eterna, madame, pelo perigo de eu mesmo permanecer para sempre aqui, igualmente imóvel, congelado em inúteis delicadezas enquanto tudo ou nada ou apenas qualquer coisa, mesmo insignificante, se agita e move e se perde em outro lugar, com certeza madame não compreenderia tanta ânsia tropical, bien sûr.
C.F.Abreu
C.F.Abreu
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Agora só são duas
"...Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que, até então, me impossibilitava de andar, mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi.E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com as duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar... "
C. Lispector
C. Lispector
quinta-feira, 29 de abril de 2010
quiçá um fim.
"Eu gostaria de viver com você,
mas não foi por isso que vim.
A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado
e deixá-lo pensar a respeito,
que amor não é coisa que se retribua de imediato,
apenas para ser gentil.
Se um dia eu for amada do mesmo modo por você,
me avise que eu volto,
e a gente recomeça de onde parou,
paramos aqui."
mas não foi por isso que vim.
A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado
e deixá-lo pensar a respeito,
que amor não é coisa que se retribua de imediato,
apenas para ser gentil.
Se um dia eu for amada do mesmo modo por você,
me avise que eu volto,
e a gente recomeça de onde parou,
paramos aqui."
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Meia metade.
"Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo."
O. Montenegro
apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo."
O. Montenegro
sábado, 17 de abril de 2010
17 de abril.
Capaz de se lançar sem medo rumo ao desconhecido, é movida a paixão. Seus impulsos e atitudes irrefletidas, costumam levá-la a situações complicadas. Tem uma agressividade própria da essência, já que tem marte, Deus da guerra, como regente, porém, muitas vezes, não a mostra com freqüência. Confiante, entusiástico, divertido, corajoso e afirmativo. Áries simboliza o novo, o início, o começo.
É o primeiro signo do zodíaco, símbolo da primavera, por tanto do impulso, da energia, da independência, da coragem.
Adeus "inferno astral".
Bom dia recomeço.
Bom dia amado 17 de abril!
É o primeiro signo do zodíaco, símbolo da primavera, por tanto do impulso, da energia, da independência, da coragem.
Adeus "inferno astral".
Bom dia recomeço.
Bom dia amado 17 de abril!
segunda-feira, 29 de março de 2010
Faz de conta.
Digo que perdôo
ofereço cafezinho
lembro dos bons momentos
digo que os ruins ficaram no passado
que já não lembro de nada
pessoas maduras sabem que toda mágoa é peso morto:
FAZ DE CONTA QUE EU NÃO SOFRO.
Não respondo teus e-mails, e quando respondo sou ríspido, distante, mantenho-me alheio:
FAZ DE CONTA QUE EU TE ODEIO
Te encho de palavras carinhosas, não economizo elogios, me surpreendo de tanto afeto que consigo inventar, sou uma atriz, sou do ramo:
FAZ DE CONTA QUE EU TE AMO.
Estou sempre olhando pro relógio, sempre enaltecendo os planos que eu tinha e que os outros boicotaram, sempre reclamando que os outros fazem tudo errado:
FAZ DE CONTA QUE EU DOU CONTA DO RECADO.
Debocho de festas e de roupas glamurosas, não entendo como é que alguém consegue dormir tarde todas as noites, convidados permanentes para baladas na área vip do inferno:
FAZ DE CONTA QUE EU NÃO QUERO.
Choro ao assistir o telejornal, lamento a dor dos outros e passo noites em claro tentando entender corrupções, descasos, tudo o que demonstra o quanto foi desperdiçado meu voto:
FAZ DE CONTA QUE EU ME IMPORTO.
Cito Aristóteles e Platão, aplaudo ferros retorcidos em galerias de arte, leio poesia concreta, compro telas abstratas, fico fascinada com um arranjo techno para uma música clássica e assisto sem legenda o mais recente filme romeno:
FAZ DE CONTA QUE EU ENTENDO.
Tenho todos os ingredientes para um sanduíche inesquecível, a porta da geladeira está lotada de imãs de tele-entrega, mantenho um bar razoavelmente abastecido, um pouco de sal e pimenta na despensa e o fogão tem oito anos mas parece zerinho:
FAZ DE CONTA QUE EU COZINHO.
Bem-vindo à Disney, o mundo da fantasia, qual é o seu papel? Você pode ser um fantasma que atravessa paredes, ser anão ou ser gigante, um menino prodígio que decorou bem o texto, a criança ingênua que confiou na bruxa, uma sex symbol a espera do seu cowboy:
FAZ DE CONTA QUE NÃO DÓI.
Martha M.
ofereço cafezinho
lembro dos bons momentos
digo que os ruins ficaram no passado
que já não lembro de nada
pessoas maduras sabem que toda mágoa é peso morto:
FAZ DE CONTA QUE EU NÃO SOFRO.
Não respondo teus e-mails, e quando respondo sou ríspido, distante, mantenho-me alheio:
FAZ DE CONTA QUE EU TE ODEIO
Te encho de palavras carinhosas, não economizo elogios, me surpreendo de tanto afeto que consigo inventar, sou uma atriz, sou do ramo:
FAZ DE CONTA QUE EU TE AMO.
Estou sempre olhando pro relógio, sempre enaltecendo os planos que eu tinha e que os outros boicotaram, sempre reclamando que os outros fazem tudo errado:
FAZ DE CONTA QUE EU DOU CONTA DO RECADO.
Debocho de festas e de roupas glamurosas, não entendo como é que alguém consegue dormir tarde todas as noites, convidados permanentes para baladas na área vip do inferno:
FAZ DE CONTA QUE EU NÃO QUERO.
Choro ao assistir o telejornal, lamento a dor dos outros e passo noites em claro tentando entender corrupções, descasos, tudo o que demonstra o quanto foi desperdiçado meu voto:
FAZ DE CONTA QUE EU ME IMPORTO.
Cito Aristóteles e Platão, aplaudo ferros retorcidos em galerias de arte, leio poesia concreta, compro telas abstratas, fico fascinada com um arranjo techno para uma música clássica e assisto sem legenda o mais recente filme romeno:
FAZ DE CONTA QUE EU ENTENDO.
Tenho todos os ingredientes para um sanduíche inesquecível, a porta da geladeira está lotada de imãs de tele-entrega, mantenho um bar razoavelmente abastecido, um pouco de sal e pimenta na despensa e o fogão tem oito anos mas parece zerinho:
FAZ DE CONTA QUE EU COZINHO.
Bem-vindo à Disney, o mundo da fantasia, qual é o seu papel? Você pode ser um fantasma que atravessa paredes, ser anão ou ser gigante, um menino prodígio que decorou bem o texto, a criança ingênua que confiou na bruxa, uma sex symbol a espera do seu cowboy:
FAZ DE CONTA QUE NÃO DÓI.
Martha M.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Românticos...
São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos
Vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo
De outra desilusão...
Já diria Vander Lee.
Que vivem pelos bares
E mesmo certos
Vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo
De outra desilusão...
Já diria Vander Lee.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Dizem que a mulher é o sexo frágil...
"No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.
A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.
Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através
de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas)."
... mas que mentira absurda!
Ah, como é bom ser mulher.
Ao 8 de março: o dia mais florido do ano.
A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.
Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através
de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas)."
... mas que mentira absurda!
Ah, como é bom ser mulher.
Ao 8 de março: o dia mais florido do ano.
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