Foi quando ela olhou para ele e disse “é ele”.
Sim, a história já começa assim. Aconteceu aquele momento onde o olho bate e já sabe que tem que ser ele. Já bateu em outros, lógico, do mesmo jeito, mas esses outros também foram ELES em seu tempo. Nenhum passou tão rapidamente em sua vida a ponto de não deixar marcas. Esse também seria assim. Era ele! Ela não tinha dúvida. Naquele dia não aconteceu nada além de um bom papo, risadas, algumas coisas em comum. A vontade dela era que aquilo tudo fosse só pra ela, mas ele parecia a mesma coisa com todos na mesa. Aquilo, sim, era diferente. Quando ela pensava que “era ele”, sempre ele pensava que “era ela”. Mas, como já ocorreu outra vez, o tal só disse ou demonstrou isso depois de um tempinho.
15 dias se passaram até o novo encontro com o dito cujo. Com o passar dos dias ela ficava mais ansiosa, para ela já havia algo entre eles, estava tudo mais que certo. No dia marcado ela se produziu toda para ele (e ainda dizem que mulher se produz pra outra mulher). Foi tudo como no encontro passado, papos, risadas, todo aquele clima de alegria. E, em um dado momento, não é que rolou a paquera? Os dois sozinhos, aquela conversa boa e puff: O amor estava no ar. Ou, pelo menos, deveria estar.
Foi bom enquanto durou, pena que durou apenas algumas horas. No outro dia um simples telefonema, mas sem nenhum convite para sair. Desse dia pra frente ela nunca mais o viu ou ouviu falar nele. Pensou até em ligar, mas viu que ele não merecia. Ele não era mais “ele”, era só mais um, ou deveria ser, mas não saia da cabeça inconformada dela aquela sensação de “onde foi que eu errei?”.
Havia algo de estranho, ela nunca errou em quem faria a diferença. Foi aí que pensou e entendeu: ele fez a diferença. Não importava quanto tempo eles tinham passado juntos, nem que esse tempo não tenha sido tão bom quanto ela esperava, mas foi suficiente. Desse dia em diante ela mudou: pensou diferente, agiu diferente e, assim, se tornou uma mulher diferente.
(continua)
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