Depois de pensar muito sobre isso, passou a se ver ali. Não seria todo dia como uma ventania forte, nem todo dia como uma brisa, mas agradável como o vento. As pessoas em sua volta a semeavam. Aquilo era estimulante. Elogiavam sua calma, elogiavam sua animação, elogiavam sua revolta com as injustiças, sem saber que ali existe uma constante tempestade que até ela desconhecia. A qualquer momento sairá e levará tudo que foi construído. Vai ser doloroso, mas parece necessário. Parece uma conseqüência de todo tempo de brisa que se passou. Muitos não aguentam e se escondem para sempre.
“Depois da tempestade vem à bonança” e não poderia ser diferente. Vem a reconstrução de cada pedaço, junto à modificação de outros. Vêm as desculpas pelo que destruiu, junto com as novas descobertas. A tempestade é como uma peneira, dela só sobrará os fortes, os bons de espírito, os que sabem que o significa perdoar. Quem sobreviver será recompensado, será amado, terá o privilégio de sentir seu vento todos os dias e a deixará feliz por estar presente em sua vida. Os que não resistirem irão embora, não sem peso, não sem dor, mas a deixarão com a sensação de que tentou, que fez a sua parte, mas faltou algo no outro. De primeira se sentirá faltando uma parte, mas porque a parte quis se fazer ausente. Com pouco tempo vai estar completa em seu íntimo, voltará a ser brisa, a ser ventania, e, futuramente, a ser tempestade.
"A tempestade adormece em todos, porém alguns ainda não a conhece. "
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